“Nossa principal preocupação era saber se o vergalhão tinha atingido a coluna”, conta cirurgião do HMS

Era um plantão rotineiro de domingo, 31 de março, quando a equipe de enfermagem do Hospital Municipal de Santarém Dr. Alberto Tolentino Sotelo (HMS) recebeu L.F.P., 11 anos. O menino foi atingido por um vergalhão nas costas, próximo a coluna, no lado esquerdo do corpo. A médica plantonista foi imediatamente acionada.

Apesar de a criança estar com os sinais vitais estáveis, o quadro era muito delicado. O caso não era comum, ali os médicos viram que o risco de a coluna ou algum órgão ter sido afetada era evidente. “Quando a coluna é atingida, as chances de tirar os movimentos das pernas é grande. Pensar nessa possibilidade me deixou apavorada”, relatou Patrícia Freitas, mãe do paciente.

A preocupação da mãe, também era a preocupação da equipe de cirurgiões. Outro risco era a perfuração do intestino. A cirurgia que F. precisava era de alta complexidade. Nesses casos, a medida é encaminhar para um Hospital que atenda esse porte cirúrgico, como o Hospital Regional. “Nós sabíamos que o tempo era fundamental para evitar sequelas ou até algo pior. Acionamos os especialistas de plantão para que a cirurgia fosse realizada no HMS”, contou o diretor do Hospital, Dr. Itamar Júnior.


A necessidade da espera

A criança aguardou 14h para entrar no Centro Cirúrgico, tempo suficiente para realização de todos os procedimentos necessários para que o paciente entrasse na sala de cirurgia com segurança. Era indispensável a realização de vários exames de imagem, laboratoriais e um laudo médico conciso antes do paciente ir para sala de cirurgia. “Nosso trabalho não é só cortar e retirar, precisamos de todo um suporte antes de realizar qualquer procedimento. Tudo foi feito em tempo hábil”, conta o cirurgião pediátrico Carlos Sinimbu, médico que chefiou a cirurgia.

Participaram da operação um cirurgião pediátrico, uma cirurgiã, um anestesista, um ortopedista e a equipe de enfermagem. Dr. Sinimbu conta que após a análise dos exames de imagem foi descartado a possibilidade de ter atingido a coluna, a dificuldade foi encontrar uma posição certa para fazer o corte. “Não podíamos puxar o ferro, por que era um gancho. Quando o vergalhão entrou, levou a camisa do menino junto pra dentro. Abrimos do lado, ressecando plano por plano até chegar no ferro”, explicou o médico.

Dr. Sinimbu atua há 10 anos como cirurgião. Segundo ele, nunca tinha visto um caso como esse em uma criança. Ele conta ainda que o objeto não atingiu a coluna e nenhum órgão por questão de centímetros. “Chegou muito perto. Foi um milagre. O anjo da guarda dele salvou ele”, disse.

 

Entenda o acidente doméstico

Patrícia Freitas, mãe de F., conta que o filho foi buscar uma bola no quintal do vizinho e que na casa do outro vizinho tinha uma barra de ferro de fazer exercícios. “Ele começou a simular os movimentos do exercício físico para o irmão olhar, mas parte da estrutura de madeira estava podre e quebrou”, afirmou.

Ela relata que com o rompimento da barra, o vergalhão também caiu, atingindo as costas da criança. “Ele disse para o irmão, ‘eu acho que quebrei minhas costas’. Na hora que vimos foi terrível, eu fiquei em estado de choque”, ressaltou a mãe.

O SAMU foi acionado, fez o primeiro atendimento e conduziu o menino para o HMS. F. recebeu alta ontem, 3 de abril, após dois dias da realização da cirurgia. O quadro é estável. A recuperação em casa traz mais benefícios para casos em que a cirurgia é realizada com sucesso.