O treinamento levantou o tema com as gestantes HIV e recém-nascidos expostos, seguindo as diretrizes do Projeto Nascer.

O Workshop envolveu colaboradores dos setores da obstetrícia e Centro Cirúrgico do Hospital Municipal de Santarém Dr. Alberto Tolentino Sotelo (HMS). O treinamento durou dois dias, 02 e 03 de dezembro, onde as diretrizes do Projeto Nascer estiveram em evidência. Os palestrantes falaram sobre empatia, aulas práticas de medicação, ética, descrição e a necessidade de comunicação com o médico sobre as grávidas diagnosticadas com HIV.

De janeiro a outubro deste ano, 51 gestantes foram identificadas com o vírus no HMS. Desses atendimentos, não houve nenhum caso de transmissão vertical de mãe para filho. Segundo a organizadora do evento e supervisora da Obstetrícia, Rubídia Lima, a primeira indicação do Ministério da Saúde (MS) é o parto normal. No entanto, a maioria dos casos exige a cesariana.

“O fator determinante para a conduta do médico na escolha do tipo de parto é a carga viral da paciente. Essa carga é avaliada através do último exame realizado pela paciente no CTA. Muitas das vezes é um exame antigo, não dando a eficiência na decisão”, explicou Rubídia.

Atualização constante

Um dos palestrantes foi o enfermeiro do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) Erek Fonseca. Ele falou sobre a necessidade de novos conhecimentos para quem atua na área da saúde. “É preciso que haja essa renovação, os métodos vão sendo sofisticados e a equipe que está de frente é que deve ser atualizada”, apontou ele.

O enfermeiro aproveitou para anunciar a instalação do novo equipamento de identificação da carga viral do paciente no CTA. Para o Projeto Nascer, esse equipamento dará agilidade e precisão ao obstetra na hora da decisão sobre o parto.

Para a enfermeira da Obstetrícia Keissy Brito a palestra foi muito importante, ela destacou a importância da atualização nesse tipo de capacitação. “Faz parte da nossa rotina acolher e assistir. É preciso prestar uma assistência de qualidade, para isso esses conhecimentos são fundamentais”,  afirmou.

Dezembro Vermelho

A AIDS (abreviação de Acquired Immune Deficiency Syndrome) é o estágio mais avançado da doença que ataca o sistema imunológico, conhecida também por “Síndrome da Imunodeficiência Adquirida”, causada pelo vírus HIV. Este vírus ataca as células de defesa do corpo humano, deixando o organismo mais vulnerável para doenças e infecções.

Apesar da evolução nas formas de tratamento e prevenção, a AIDS continua sendo uma preocupação para os brasileiros. O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) divulgou que, só no Brasil, 15 mil pessoas morreram em decorrência do vírus HIV em 2015. O Programa também apontou um aumento de 18,5% das pessoas que vivem com a doença em apenas 5 anos no País.

Projeto Nascer

O Projeto Nascer é uma proposta do Ministério da Saúde (MS) implantada no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2002 que tem como objetivo zerar a transmissão vertical de mães com HIV para os recém-nascidos. A transmissão vertical pode acontecer durante a gravidez ou no momento do parto. Por isso, a necessidade de ofertar uma assistência de qualidade desde o primeiro pré-natal capaz de suprir a necessidade dessas pacientes.

Implantado desde maio do ano passado no HMS, o Projeto vem trazendo resultados positivos, uma vez que não foram registrados casos de transmissão vertical desde então. Todos os anos, o Projeto recebe atualizações das novas tecnologias e das boas práticas e de combate ao vírus. O CTA, que é o principal parceiro, colocará em funcionamento, no próximo dia 07 de dezembro, o ”Genexpert”, equipamento capaz de informar a carga viral do paciente em 1h30min.

Segundo o MS, a mulher portadora do HIV que não recebe o tratamento adequado durante a gestação tem 25% de chance de transmitir o vírus durante a gravidez ou no parto. Quando ela segue as recomendações do médico e faz o uso da medicação, o risco cai para menos de 1%. Por isso, o acompanhamento durante a gravidez é imprescindível.