Com a chegada das chuvas, a proliferação do mosquito Aedes Aegypti pode aumentar. O mosquito é o transmissor do vírus da Dengue, Chikungunya e Zika. A equipe de infectologia do Hospital Municipal de Santarém Dr. Alberto Tolentino Sotelo (HMS) chama atenção da sociedade para intensificar as medidas de prevenção como, por exemplo, evitar água parada nos recipientes. Caso apareçam os sintomas da doença, é preciso procurar as Unidades Básicas de Saúde e em casos de agravamento dos sintomas durante o tratamento ir até a Unidade de Pronto Atendimento UPA 24 horas.

O Ministério da Saúde aponta que, no ano passado, foram registrados 1.527.119 de casos suspeitos e confirmados de Dengue em todo Brasil. O estado do Pará registrou 5.383 casos. No total, o País teve 754 óbitos em decorrência da doença, nenhuma dessas mortes foi no Pará. No último ano, o HMS notificou 41 pacientes suspeitos e dois diagnósticos confirmados.

No cenário nacional foram 180.820 casos de Chikungunya e 10.741 de Zika. Desses, 95 óbitos por Chikungunya e três mortes por Zika. No Pará, os atendimentos por Chikungunya e Zika totalizaram 3627 e 188, respectivamente. O HMS recebeu 14 pessoas com o quadro suspeito de Chikungunya e 3 de Zika, sem nenhuma morte.

Classificadas como Arboviroses Urbanas, os três vírus podem atuar de diferentes formas no organismo humano. O infectologista Alisson Brandão esclarece sobre os principais sintomas. “Dor de cabeça, dores no corpo, sem vontade de fazer atividades do cotidiano e ficar debilitado são alguns dos sintomas inespecíficos que as três doenças podem apresentar. Apesar de terem sinais parecidos, cada um têm sua peculiaridade sintomática”, destacou o especialista.

Dentro do HMS é estabelecido um fluxo de atendimento dos pacientes que dão entrada com suspeita de algum desses vírus. Dessa forma, acionam o laboratório e o setor epidemiológico do Hospital, para notificar esse paciente e acompanhar todo o acolhimento.

 

Dengue

Segundo Alisson, a Dengue é caracterizada quando o paciente apresenta uma febre alta acompanhada de dor de cabeça, dor ao redor dos olhos ou dores musculares. A prescrição médica é imprescindível para sanar esses sintomas.

Qualquer profissional de saúde está apto a notificar casos de Dengue, desde a Unidade Básica de Saúde (UBS), a Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 horas) ou mesmo o HMS. No caso das internações, são apenas realizadas para pacientes que apresentam estados mais graves da doença. “Essas doenças são autolimitadas, precisam de suporte clínico para hidratar o paciente e fornecer medicações sintomáticas para dor e febre. Caso os sintomas sejam leves, o recomendado é procurar as UBSs”, afirmou o médico.

 

Chikungunya em Idosos

Dr. Alisson aponta que esse vírus ataca, principalmente, as articulações. Por isso, pode apresentar sintomas mais específicos. “Dores articulares e nas juntas, limitando a pessoa a fazer suas atividades diárias, é um sintoma clássico da Chikungunya”, disse ele.

Idosos são os pacientes que mais sofrem com este vírus, devido ao enfraquecimento natural dos ossos, articulações e juntas. A doença pode evoluir para uma fase crônica que seria a artrite. Por isso, é necessário procurar por ajuda médica logo nos primeiros sintomas.

O Ministério da Saúde (MS) aponta que a taxa de letalidade em 2019 por Dengue e Chikungunya foi maior entre os idosos a partir dos 60 anos. Dentro dessa categoria, os mais afetados foram aqueles com 80 anos ou mais. No caso de Chikungunya, destaca-se também a faixa etária de bebês menores de 1 ano.

 

Gestantes e o vírus da Zika

O vírus Zika apresenta os sintomas mais brandos em comparação aos outros dois. Dores no corpo e a vermelhidão no corpo são características da infecção. O infectologista do HMS explica que a vermelhidão no corpo pode aparecer em casos de Dengue, por exemplo. No entanto, é um sintoma característico do Zika vírus.

Para os médicos, a principal preocupação é que as mulheres grávidas venham a ser infectadas com o vírus da Zika que pode causar malformação do bebê e microcefalia. O uso de repelente e os cuidados com a proliferação residencial do mosquito são algumas orientações do Ministério da Saúde.

Alisson explica sobre o atendimento oferecido no HMS que, na grande maioria das vezes, não precisa de internação. Normalmente, o tratamento de Zika vírus dura entre 5 a 7 dias. Ele alerta para os sintomas de gravidade. “Paciente com pressão muito baixa, sangramentos nasais ou oculares, dores abdominais fortes, precisam de uma internação urgente”, concluiu.