De março a dezembro de 2019, o Hospital Municipal Dr. Alberto Tolentino Sotelo e o UPA 24H atenderam 175.179 pacientes. Desses, 97.180 foram mulheres com diferentes sintomas e patologias. No HMS foram registradas 139 internações de pessoas do sexo feminino com diabetes e 159 com doenças hipertensivas.

Segundo o HMS, os acidentes vasculares cerebrais também merecem destaque. As mulheres na faixa etária de 50 a 80 anos são as que mais chegam na Unidade em busca de atendimento. Isso alcança o número de 51% em comparação com os homens.

Durante o mês de março, o HMS coloca a saúde da mulher em pauta para reforçar a necessidade de prevenção. Pois, embora as principais causas das entradas femininas sejam glicemia alta, crises hipertensivas, infecção urinária e acidentes vasculares cerebrais, a médica clínica geral Isaura Marinho destaca que é fundamental ter atenção aos exames preventivos.

“As mulheres são acometidas mais pelas doenças hormonais e ginecológicas, por isso a atenção periódica às consultas médicas e seus devidos tratamentos são fundamentais para manter a boa saúde”, disse Isaura.

No área ginecológica o HMS trabalha em parceria com a Casa da Saúde da Mulher que é referência no atendimento e na promoção da saúde feminina no oeste do Pará. A Coordenadora da Casa, enfermeira Dinauria Faria explica como funciona o atendimento. “Nós recebemos pacientes reguladas, que apresentam gravidez que envolve riscos, suspeitas de câncer de mama e outros das especialidades ginecológicas, além de promover educação sexual e o planejamento familiar”.

Para além dos cuidados ginecológicos

Segundo o Ministério da Saúde as doenças cardiovasculares ou do aparelho circulatório e as mais relevantes doenças crônicas não transmissíveis são as maiores causas da mortalidade das mulheres no Brasil. O M. S., através do DataSus, mostra que em Santarém, no último ano, foram diagnosticadas com doenças no aparelho circulatório, 567 pacientes femininas, outras 407 apresentaram doenças respiratórias e 165 foram diagnosticadas com doenças cardiovasculares.

“As mulheres encaram diferentes rotinas de trabalho, o que afeta diretamente na saúde delas. É preciso que elas se voltem e olhem mais para sua saúde”, destacou a médica Isaura Marinho.

O IBGE mostrou o número de mulheres que são responsáveis financeiramente pelos domicílios vem crescendo a cada ano e já chega a 34,4 milhões, ou seja, quase metade das casas brasileiras são chefiadas por mulheres, em que ainda precisam realizar atividades dentro de casa. Por muitas vezes, essa dupla ou até tripla jornada não deixa espaço para os cuidados com a própria saúde. É o momento de se preocupar com a qualidade de vida. Dessa forma, assumir hábitos saudáveis.

Violência contra mulheres

O HMS e a UPA 24H registraram nos últimos três meses 10 casos de violência contra mulher e tentativas de feminicídio. A maioria chegou com fraturas e marcas de espancamento.

Além dos atendimentos clínicos, também é fornecido o atendimento psicossocial. O setor é acionado para realizar a intervenção multiprofissional. A psicóloga do HMS, Ligia Ferreira conta que os atendimentos no HMS seguem um fluxo. “As mulheres vítimas de agressão são acolhidas e protegidas pelo hospital, que procura apoiar e orientar sobre o que fazer nessas situações”, enfatizou.

O Ministério da Saúde publicou em janeiro deste ano o boletim epidemiológico que retrata a realidade das vivências sociais e de acesso a saúde para as mulheres de populações ribeirinhas, extrativistas, agricultores familiares e quilombolas. O boletim evidenciou que essa população também está mais suscetível a sofrer violência doméstica.

A baixa escolaridade ainda é um dos fatores que aponta uma vulnerabilidade socioeconômica, que por muitas vezes as vítimas são dependentes financeiramente de seus agressores. O difícil acesso às unidades de saúde intensifica o problema.

Essa reportagem foi originalmente publicada no Portal de Notícias G1