O mês de dezembro é dedicado a prevenção do HIV e da AIDS no mundo todo e nesse período são realizadas campanhas de conscientização.
Referência no atendimento de pessoas com HIV no oeste do Pará, o Hospital Municipal de Santarém Dr. Alberto Tolentino Sotelo (HMS) alerta para prevenção e tratamento da doença. O município de Santarém notificou 228 novos casos no ano de 2018. Este ano, a Unidade registrou 19 óbitos de pacientes com a causa básica da doença.

O Brasil ainda não alcançou as metas internacionais de contenção do vírus. Segundo dados da ONU, o País registrou 100 mil novos casos no ano passado, indo de contramão as reduções da infecção que ocorreram na média mundial. Apesar de notar grandes evoluções na promoção de uma vida digna e saudável aos soropositivos, o Pará é o quarto estado com mais casos de AIDS no País`e o segundo no número de mortalidade devido a doença.

Tratamento e conscientização

O infectologista do HMS Dr. João Assy afirma que o tratamento é eficiente e é possível “paralisar” o vírus, equilibrando a carga viral e impedindo a transmissão; além de gerar uma expectativa similar à de quem não tem o vírus. “A principal arma de combate a AIDS é o diagnóstico precoce, o tratamento é simples. Basta tratar o HIV que ele não se transforma em AIDS”, destacou. Ele destaca ainda que o melhor caminho é a prevenção.

O dia 1º de dezembro é instituído como Dia Mundial do Combate a AIDS. A data marca o início do mês dedicado a conscientização da doença, inserido no calendário do Ministério da Saúde através da Lei 13.504/ 2017. O foco da campanha é a prevenção, assistência e promoção dos direitos humanos às pessoas que vivem com HIV/AIDS.
O acordo mundial promovido pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) tem o objetivo de zerar os dados de infecção, discriminação e mortalidade em todo o mundo até 2030.

Prevenção

O Ministério da Saúde vem diversificando as ações dentro de um conceito de prevenção combinada, que inclui a distribuição de preservativos masculinos e femininos, gel lubrificante e ações educativas. O Sistema Único de Saúde (SUS) atua na prevenção da infecção pelo vírus, disponibilizando métodos como a Profilaxia Pré-Exposição (PREP) e a Profilaxia Pós Exposição (PEP). Após a exposição com o vírus é indispensável a procura do médico para realizar a interrupção do ciclo viral.

Um dado importante é que 73% dos casos ocorrem em homens e a população jovem adulta é a mais atingida. Por isso, o Ministério da Saúde ampliou o acesso ao diagnóstico precoce e ações específicas para as populações chaves, como pessoas trans, homens que fazem sexo com homens, trabalhadores do sexo, população privada de liberdade e usuários de álcool e outras substâncias.

Sintomas

A infecção ataca o sistema imunológico e logo nas primeiras semanas ocorre a incubação do vírus nas células. Passados 30 a 60 dias, o organismo começa a produzir os anticorpos, sintomas que parecem com uma gripe. E, por isso, não recebem tanta atenção.
A fase assintomática, que pode se estender por anos, é quando ocorre maior interação nas células de defesa com a mutação do vírus. De certa forma, há um equilíbrio na reprodução do vírus. Nessa etapa o organismo não é atingido o suficiente para causar doenças oportunistas.

A ausência de sintomas prejudica o diagnóstico precoce que é percebido apenas na fase sintomática, quando as células de defesa já não respondem a mutação do vírus. Essas células acabam sendo destruídas, o que causa a baixa imunidade. O organismo torna-se vulnerável as infecções comuns, como tuberculose, hepapites virais e pneumonia; além de alguns tipos de câncer.

A melhor forma de descobrir com rapidez se tem o vírus HIV é através do teste rápido feito no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Santarém, localizado na Av. Barão de Santarém canto com a Av. Marechal Rondon. O local fica aberto para os testes na segunda, terça e quinta das 7h às 14h. Também prestam atendimento multiprofissional de segunda a sexta de 7h às 18h.

Grávidas com HIV

Desde 2018, a obstetrícia do HMS atua com o Projeto Nascer, garantindo o parto seguro para gestantes com HIV e evitando a “transmissão vertical” do vírus de mãe para filho. Neste ano, mais de 40 partos do tipo foram realizados na Unidade.

Segundo o Ministério da Saúde, a mulher soropositiva (portadora do HIV) que não recebe o tratamento adequado durante a gestação oferece 25% de chance de transmitir o vírus durante a gravidez ou parto para o feto ou recém-nascido. Quando ela segue as recomendações do médico e ingere os remédios, as chances caem para menos de 1%. Por isso, o acompanhamento durante a gravidez é muito importante.

O Projeto Nascer é uma iniciativa do Ministério da Saúde e recebe ações de conscientização no próximo mês em alusão ao Dezembro Vermelho.