As medidas de prevenção do novo Coronavírus adotadas pelo Ministério da Saúde (MS), com a suspensão das aulas por tempo indeterminado, já duram cerca de dois meses. Com tanto tempo livre dentro de casa, os pais precisam redobrar a atenção com os pequenos. O Hospital Municipal de Santarém Dr. Alberto Tolentino Sotelo (HMS) faz um alerta para que o percentual de acidentes domésticos, principalmente com crianças, não aumente.

O HMS registrou desde janeiro deste ano até o momento, cinco acidentes domésticos com crianças. As queimaduras têm ganhando cada vez mais espaço nos leitos da pediatria. Esse tipo de acidente é contabilizado de forma separada e do início do ano até o dia 15 maio chegaram a um total de 19 crianças atendidas na Unidade na faixa etária de 1 a 9 anos.

Nicolas Araújo, de apenas 2 anos, sofreu uma queimadura em casa. A mãe, Sarah Araújo, conta que o pai do garoto preparava o fogo para o churrasco e por uma questão de poucos minutos não observaram o filho que acabou se acidentando e  sofreu queimadura de segundo grau. “Foi por um instante que a gente tirou o olho dele e ele acabou se queimando. Foi o maior susto e desespero da minha vida. Corremos para o Hospital e ele foi logo atendido”, contou, emocionada.

O pequeno deu entrada no dia 3 de maio e foi estabilizado, passou por um procedimento cirúrgico para tratar os ferimentos e está sendo acompanhado na pediatria do HMS. Segundo o médico Douglas Rosa, que acompanha o caso, o paciente evolui bem. “A cicatrização está acontecendo melhor que o esperado. O quadro clínico do Nicolas é estável, mas ainda precisa ficar internado. Ele deve receber alta nos próximos dias”, explicou.

 

Dados gerais sobre acidentes domésticos

A Sociedade Brasileira de Pediatria lançou no dia 3 de abril deste ano um manual de orientação sobre acidentes domésticos com crianças. São 9 páginas de indicações de prevenção e os primeiros socorros aos acidentes mais comuns que acometem as crianças dentro de casa. Acidentes com queimaduras, traumas por impactos, quedas e afogamentos são alguns dos temas abordados no manual.

 

O cuidado emocional

Além dos cuidados físicos, nesse momento o emocional também deve ser levado em consideração. O distanciamento dos amigos, da escola e dos professores propicia um ambiente de tristeza que pode desencadear alguns transtornos emocionais como depressão e ansiedade nos pequenos. É importante que os pais e responsáveis sejam os mediadores das informações e também do desenvolvimento emocional das crianças. 

A psicóloga do HMS, Ligia Ferreira, orienta que as famílias devem aproveitar o isolamento domiciliar e fortalecer os laços familiares, desenvolvendo o emocional deles. “As famílias devem estabelecer diálogos capazes de promover experiências emocionais saudáveis e essenciais para o desenvolvimento das crianças. Além de incentivar a rotina de higienização para o combate à COVID-19,” sugeriu.

A pedagoga Patrícia Mascarenha, que atua no Núcleo de Ensino Pesquisa (NEP) do HMS e tem mestrado voltado para a educação de crianças, orienta que os pais e responsáveis devem ter um contato físico com as crianças. Segundo ela, praticar brincadeiras que estimulem a imaginação, despertem a curiosidade para o aprender e jogos de interação, estabelecer uma rotina, são alguns caminhos que ajudam durante esse período de crise. “A falta de contato com as pessoas estimula o estresse e a sensação de insegurança, os pais devem praticar atividades junto às crianças como leitura, desenhos, pinturas até resgatar brincadeiras; como a amarelinha”, informou ela.