“Tuberculose tem cura quando tratada de forma correta”, diz o infectologista Alisson Brandão

A capacitação, voltada para os profissionais de saúde do Hospital Municipal de Santarém Dr. Alberto Tolentino Sotelo (HMS) e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas, abordou a temática “Coinfecção Tuberculose-HIV, diagnóstico e tratamento de Tuberculose”. Em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA), a atividade ocorreu nesta quinta-feira, 21 de março, no auditório do HMS.

A tuberculose é uma infecção causada por uma micobactéria que pode infectar vários órgãos do corpo. Sua transmissão é feita pelo ar e, por isso, precisa de atenção dobrada.

Segundo o responsável técnico do serviço ambulatorial de especialidades do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), enfermeiro Ereck Fonseca, o objetivo das palestras foi intensificar as noções sobre todas os riscos que a infecção do Bacilo Koch pode de causar. “Falamos também sobre o acolhimento, tratamento e encaminhamento que deve ser realizado pela equipe multiprofissional dentro das duas Unidades”, explicou.

Para o enfermeiro que atua na UPA Domingos Fernandes a palestra reforçou a conduta que deve ser seguida quando a Unidade receber um paciente com sintomas de tuberculose. “É sempre bom aprender e que venha mais treinamentos para que possamos adquirir mais conhecimento”, enfatizou.

O encerramento do evento será nesta segunda-feira, 25 de março, considerado o Dia Mundial de Combate à Tuberculose. A partir das 15h30, o Grupo de Trabalho em Humanização (GTH) do HMS, juntamente com a coordenação de enfermagem, irá realizar uma ação de conscientização sobre tuberculose nos leitos do Hospital.

Dados do HMS

O estado do Pará tem um dos maiores índices de casos de TB, perdendo somente para o Rio de Janeiro e São Paulo. Em janeiro de 2019, foram notificados pelo setor de epidemiologia do HMS, quatro casos de tuberculose. No mês de fevereiro o número de pacientes diagnosticado com a infecção aumentou para dezoito. Em março foram registrados três casos.

Sintomas

Segundo o infectologista Dr. Alisson Brandão, que também palestrou no evento, até o século XIX a TB era uma doença considerada extremamente perigosa, sem cura e que era tratada com o isolamento da pessoa infectada. O médico explica que hoje existem os medicamentos específicos, tornando uma doença tratável e curável. “Porém, o tratamento só será eficaz se o paciente obedecer às orientações do médico e manter o acompanhamento durante seis meses”, ressaltou.

Os sintomas característicos são: tosse, com ou sem secreção que pode durar mais de quatro semanas; febre baixa, mais comum à tarde; perda de peso; fraqueza e falta de apetite. Esses sintomas podem mudar, conforme o local de acometimento. “Se a pessoa tem uma TB laríngea pode haver rouquidão. Já quadro que pode parecer o tipo Ganglionar, a característica são as ínguas”, explica o infectologista.

Como prevenir?

De acordo com o infectologista, as pessoas que estão sujeitas a adquirir a doença normalmente tem um histórico de contato com alguém que teve a tuberculose. “O doente precisa se manter isolado para não ocorrer a transmissão do bacilo para outras pessoas”, disse.

“No entanto, a principal medida de prevenção para evitar formas graves da doença é a vacina BCG que é aplicada na criança. Outros cuidados importantes são manter os ambientes domiciliares arejados”, finalizou o médico.